Sou um fanático por redes desde que me lembro. A primeira vez que conectei um Hayes Smart Modem 300 — ou talvez tenha sido um Novation SmartCat 1200 — a uma linha telefônica e ouvi aqueles tons de estabelecimento de conexão ao discar para um sistema de quadro de avisos, fiquei viciado. Ver o cursor piscando no computador de outra pessoa responder aos meus comandos era mágico. A partir daquele momento, soube que conectar máquinas — e, por extensão, conectar pessoas — iria moldar minha vida.
Em meados da década de 90, aprendi a instalar roteadores em rack, conectar CSUs/DSUs e configurar linhas T1. Lembro-me de ter achado muito curioso que um ATM usasse células de 53 bytes, um número primo que desafiava minha intuição sobre eficiência binária. Depois vieram as conexões T3 e OC3, e o dia em que ajudei a instalar um dos primeiros roteadores OC12 pareceu uma viagem ao futuro. Vi a chegada da Gigabit Ethernet e tive o privilégio de anunciar as primeiras portas de switch de 10 Gigabit Ethernet do mundo. Anos, bem, provavelmente décadas depois, voltei à vanguarda: projetando roteadores capazes de inicializar automaticamente, provisionar-se sozinhos e conectar filiais sem que um único cabo de console precisasse ser conectado. Para alguém que ama redes, foi uma carreira passada na fronteira do que era possível.
O que sempre mais me fascinou não é apenas como conectar sistemas, mas como conectar tudo — pessoas, dados, setores e ideias. Já trabalhei em redes que circundam o globo a centenas de milhas acima do solo, atravessam continentes por meio de fios de vidro e se estendem sob os oceanos. Ajudei a aproximar a computação dos dados e os dados da computação. A busca por conectar a sociedade, a educação, a ciência, a saúde, a defesa e o entretenimento nunca foi, na verdade, uma questão de fios ou pacotes de dados. Trata-se de possibilidades. E, no entanto, em meio a toda essa inovação, sempre houve um espaço que se mostrou excepcionalmente desafiador: o borda.
A borda é onde as pessoas e as máquinas se encontram. É onde os dados nascem e são consumidos. É um microscópio de laboratório gerando terabytes de imagens, um aparelho de ressonância magnética armazenando dados de pacientes que não podem sair do hospital, um editor de efeitos visuais trabalhando com vídeos enormes e não compactados ou um carro autônomo gerando e transmitindo grandes quantidades de dados de sensores. É o campo de batalha onde a necessidade de enviar e receber dados é constante e implacável. Por décadas, a borda tem sido a parte mais difícil de se acertar — muitos dispositivos, muita variabilidade, pouca padronização.
Já vi inúmeras tentativas de resolver isso. A “God box”, o “branch in a box”, o “switch de roteamento”, o “roteador de comutação”. Cada geração tentou unir computação, armazenamento, rede e segurança em um único formato. Cada geração fez concessões que se revelaram muito onerosas. Algumas eram difíceis demais de implantar. Outras tinham pouca potência ou eram excessivamente complexas. Algumas não conseguiam sobreviver aos ambientes adversos para os quais foram projetadas. A maioria exigia um exército de engenheiros para operar, atualizar e solucionar problemas. O sonho era certo, mas a execução nunca foi completa.
É por isso que o que vi hoje me deixou impressionado. A plataforma Unified Edge da Cisco é o que mais se aproximou de acertar em cheio. Não se trata de mais um dispositivo para filiais com uma nova embalagem — é uma reformulação do que a borda deve ser. É um sistema projetado para a realidade: computação, rede, armazenamento e segurança, unificados e modulares, gerenciados em escala por meio de um único plano de controle global. Ele pode ficar em um rack, ser montado na parede ou transportado na traseira de um Humvee. Ele se sai tão bem armazenando em cache terabytes de imagens de satélite para uma equipe em missão avançada quanto hospedando desktops virtuais para uma agência bancária ou executando inferência de IA local em um drive-through de varejo.
A Cisco desenvolveu essa plataforma para resolver os desafios mais complexos — como executar cargas de trabalho em GPU em cenários onde a latência é fundamental, como aplicar segurança de confiança zero sem comprometer o desempenho e como gerenciar milhares de locais idênticos a partir da nuvem sem precisar de um grande número de técnicos de campo. Ela é modular, robusta e projetada para ambientes que não toleram tempo de inatividade. Foi projetada para a borda em escala global.
O que torna esse momento tão empolgante é como ele se conecta a uma história mais ampla — a convergência de dados, computação e IA. Nas últimas duas décadas, centralizamos tudo. As aplicações migraram para nuvens em hiperescala porque era lá que residiam a economia e a agilidade. Mas, à medida que a IA, a autonomia e a análise de dados aumentaram a necessidade de imediatismo, o pêndulo está oscilando de volta. Estamos entrando em uma era em que a borda (edge) é mais importante do que nunca, não como um retrocesso, mas como uma evolução. A computação e a inteligência agora devem estar presentes em todos os lugares — no chão de fábrica, em uma clínica, em um navio, em órbita. O Cisco Unified Edge, combinado com o Data Fabric da Qumulo, torna essa visão tangível. Ele leva a plataforma de dados até a borda e a borda até a plataforma de dados.
Passei trinta anos acompanhando a evolução desse setor — dos modems discados às estruturas multicloud, dos pares de cobre às redes de backbone ópticas, dos roteadores com interfaces de linha de comando à infraestrutura impulsionada por IA que se configura sozinha. Mas hoje parece que estamos diante de mais um ponto de inflexão. A unificação de computação, armazenamento, rede e IA na borda mudará a forma como os setores operam. Isso redefinirá a fronteira entre o mundo digital e o físico.
A perfeição não existe no design de produtos — sempre há algo novo no horizonte —, mas esta é a melhor implementação do “edge” que já vi. É um sistema que simplifica a complexidade, é escalável para milhares de sites e faz isso com a elegância de uma arquitetura bem pensada. Para nós que nos apaixonamos por aquele primeiro cursor piscando em um computador remoto, esta é a continuação da mesma história: construir os sistemas que conectam tudo, em todos os lugares e a todas as pessoas.
Os próximos vinte anos não se resumirão apenas a conectar o mundo. Tratar-se-á de capacitá-lo — com inteligência, resiliência e a capacidade de raciocinar na periferia. E é aí que a verdadeira aventura começa.